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A música clássica em filmes

Música clássica no cinema: 3 histórias de trilhas sonoras sucesso de bilheteria

A música clássica tem o dom de atravessar séculos. Suas melodias são consideradas eruditas por toda a complexidade que exigem para serem criadas e executadas. Quando utilizadas nas trilhas sonoras de produções cinematográficas, elas emocionam a cada sonata e são capazes de registrar a cena eternamente na memória do espectador.

 

2001: Uma Odisseia no Espaço, em uma trilha sonora de Darwin à Nietzsche 

O filme é o primeiro longa-metragem a utilizar uma trilha sonora formada apenas por composições já escritas. É ela quem cria a relação íntima que vemos entre a filosofia de Friedrich Nietzsche e a teoria da Seleção Natural de Charles Darwin. A conexão é feita por uma faixa de música clássica chamada Assim Falou Zaratustra, um poema sinfônico inspirado em um livro com o mesmo nome e escrito por Nietzsche. 

Em uma das passagens mais famosas do livro que inspira o filme, o profeta Zaratustra anuncia aos homens a possibilidade dele saltar a sua condição, se transformar em outra coisa. Ainda mantendo o mesmo objetivo com os seus seguidores, ele diz poder se tornar algo tão ignorável como os macacos são para os humanos, um resultado da Seleção Natural. No filme os contextos evolucionistas e filosóficos se conectam quando a trilha principal retrata exatamente um salto como este.

Na cena inicial, com o alinhamento do Sol, Lua e Terra vemos um primata perceber a possibilidade de utilizar um osso para abater seu predador e se alimentar dele, após encontrar um monólito preto. Uma referência clara de como começou a evolução das espécies para Darwin, ao som de Assim Falou Zaratustra. Depois de todo o enredo, a faixa toca novamente e apresenta o último salto do filme e como podemos entender o significado dessa transformação. O astronauta Bowman, após encontrar o mesmo monólito, vê várias alternativas do que foi sua existência e se transforma em algo similar a um feto que vaga pelo espaço e zela pela Terra, lembrando o que o profeta de Nietzsche disse aos homens no livro.

 

A trilha sonora distópica de V de Vingança

Ao contrário de 2001: Uma Odisseia no Espaço, vemos em V de Vingança a obviedade vir à tona quando ouvimos Tchaikovsky na principal cena do filme. Ambas possuem o sentido de comemorar a vitória de um ideal político para toda a nação. 

A Abertura 1812 foi encomendada para abertura da Exposição Nacional das Artes, realizada em Moscou em 1882. A obra comemora os 70 anos de fracasso da invasão de Napoleão Bonaparte à Rússia. De forma literal, o concerto utilizou canhões para enaltecer a forma como o exército russo reduziu o temido exército francês.

Outro fracasso de um monopólio político é visto nas cenas de V de Vingança. Adaptado dos quadrinhos de Alan Moore, o filme retrata como a anarquia derrubou o distópico governo totalitário e fascista do Reino Unido. Recheado de referências filosóficas à liberdade, em sua cena principal podemos ouvir a trilha de Tchaikovsky, dessa vez ao som de bombas, celebrar a vitória do que parece ser o mais certo para a sociedade retratada.

 

A Fantasia de Walt Disney apresentou a música clássica para crianças

A 22º maior bilheteria americana encantou a todos os públicos. Ganhadora de dois Oscar honorários pela inovação em qualidade de som e conteúdo capaz de entreter pais e filhos, ‘Fantasia’ é conhecido como o filme que resgatou a popularidade do Mickey.

Seu enredo faz um crossover dos personagens mais famosos da Disney até o ano de 1940. São oito segmentos animados ao som de música clássica e que apresentam movimentações selecionadas para combinar com o reger de cada canção.

Inicialmente foi bem recebido pela crítica e pelo público infantil, principalmente pela qualidade do áudio, mas algumas polêmicas relacionadas a nudez e racismo refletiram na queda da bilheteria.

Esse clássico é um dos melhores exemplos de como a trilha sonora é importante para o cinema, principalmente quando é ela que vai enaltecer a intenção de ser uma obra clássica.

A preocupação de Walt Disney com a emoção da plateia criou a parceria com a RCA, especializada em aparelhos de áudio até hoje, e juntos anunciaram a técnica de Surround Sound, a mais real da época. O fato foi vencedor do primeiro Oscar honorário e o segundo foi pela originalidade do filme, que se mantém memorável até hoje.

A complexidade da criação e execução de uma obra é o que a classifica como erudita. Com a música clássica, o cinema pode contar com produções com o mesmo padrão de criação.

Se não fosse a trilha para dar sentido aos filmes, o que seria de Darth Vader sem a sua Marcha Imperial? Parece até fazer sentido que o Alex de Laranja Mecânica não conseguisse ouvir a 9ª Sinfonia de Beethoven depois de seus tantos delitos.

Os amantes de música clássica sabem que para ampliar a sua experiência sonora é necessário dispor de um conjunto de execução ao mesmo nível de um concerto, pois é a trilha sonora que nos leva além. E quando o assunto é viver emoções ainda há quem não saiba se o melhor é o som analógico ou o digital.

Se você ainda não faz parte desse grupo, basta clicar abaixo para conhecer o que há por trás do redescobrimento dos discos de vinil e a diferença na sua qualidade sonora:
 

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